Revista Infra-RS

12/02/2025

PROJETO BUSCA A INSERÇÃO DAS MULHERES NA CONSTRUÇÃO PESADA

A falta de trabalhadores qualificados assumiu a primeira posição entre os quesitos que mostram as limitações dos investimentos na infraestrutura, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV). No Rio Grande do Sul, uma iniciativa inovadora pretende contribuir para mudar essa situação, ao mesmo tempo em que busca por maior equidade de gênero no mercado de trabalho, especialmente em um setor tradicionalmente masculino. 

Em sintonia com o "S" (Social) dos programas de ESG – uma grande tendência voltada para os desafios da sociedade contemporânea –, as empresas Di Azambuja, de Diana Azambuja, mestra em Engenharia Civil na área de Geotecnia pela UFRGS, e a Senescentis, de Michele B. Clos, doutora em Gerontologia Biomédica pela PUCRS, desenvolveram o projeto Mulheres na Construção Pesada.

A ideia, conforme Diana, alia a necessidade do mercado de mão de obra qualificada à inclusão de mulheres por meio da capacitação para operação de máquinas. Além de um curso, totalmente gratuito, com duração de duas semanas, com aulas teóricas e práticas, o projeto contempla o acompanhamento de seu impacto social na vida dessas mulheres, principalmente na geração de renda e inserção no mercado.

A implantação da iniciativa, conforme Diana, depende do setor privado em uma perspectiva de responsabilidade social empresarial, a fim de viabilizar o treinamento e a absorção dessas mulheres em postos de trabalho.

Durabilidade

Em nossa área, notamos muita preocupação com a durabilidade dos equipamentos. Dessa forma, existe espaço para profissionais cada vez mais qualificados e investir em formação técnica para todos. Ao inserir a mulher nesse mercado, podemos promover sua inclusão em um meio tradicionalmente masculino."

Ela ressalta que a vida útil desses equipamentos depende fortemente dos cuidados de operação, manutenção preventiva e corretiva. "Em tese, essas ações dependem fortemente dos conhecimentos do operador. Se esse não está qualificado ou está insatisfeito com a atividade, existe risco de prejuízos expressivos com os danos no equipamento", observa.

De acordo com Michele, o processo seletivo deve ocorrer em fevereiro de 2025, com o início das aulas a partir de março. O ensino fundamental e carteira de habilitação são pré-requisitos para o acesso ao curso. "Não será exigida nenhuma experiência na condução de máquinas", explica Michele. "Apenas a habilitação para que não haja impedimento na condução de máquinas." "É um projeto que não termina com o final do curso: busca a inserção de mulheres no trabalho, aumento de renda e melhoria da qualidade de vida de famílias", conclui Diana.

O SICEPOT-RS avalizou o projeto, o qual foi encaminhado à FIERGS, que deverá ser um dos patrocinadores, por meio do Sistema Sesi-Senai. Mais informações: administracao@sicepotrs.com.br